Texto: Júlio Carneiro
A situação do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad) permanece como uma promessa não cumprida para a governança do DF. A motivação original para sua criação — proporcionar uma estrutura integrada que promova uma melhor organicidade, tornando o GDF mais eficiente e criar uma ponte de colaboração entre estado e sociedade civil na construção das políticas públicas e a governança corresponsável.
Concebido para integrar os órgãos da administração pública e impulsionar uma gestão mais inteligente e eficiente, o Centrad foi projetado para facilitar o diálogo entre governo e população, favorecendo uma cogovernança que o crescimento e a complexidade do DF exigem. Contudo, após quase uma década desde o início de sua construção, que chegou a 95% de conclusão, o espaço permanece inutilizado, enquanto o modelo de governança do DF segue defasado.
A “década perdida” apenas acentua a urgência de despertar a sociedade civil e o próprio GDF para uma revisão do estilo e modelo de gestão pública. A ideia de uma sede administrativa integrada, que otimize o funcionamento do governo e abra canais de participação da comunidade, continua necessária.
Calçada compartilhada em frente ao Centrad.
A paralisação do Centrad resultou de inúmeros entraves, desde denúncias de corrupção e embargos judiciais até as complexidades de uma obra bilionária, cujos recursos para conclusão estão atrelados a disputas judiciais intermináveis. Além disso, o projeto enfrentou resistências de diversos setores, incluindo visões equivocadas sobre seu uso, vindas de membros do Executivo, Legislativo e Judiciário, o que afastou a população e fez o Centrad perder seu propósito inicial.
Apesar desses desafios, o Centrad continua a representar uma oportunidade de transição para uma gestão moderna, alinhada com a visão de um “DF que todos desejam”. Mas essa mudança só será possível com a participação ativa e informada da sociedade.
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Júlio Carneiro é médico aposentado e morador de Taguatinga.

