Programas do GDF e Eventos sobre Mobilidade
Os programas governamentais mudam ao longo dos anos. Alteram-se os nomes de programas, projetos e secretarias; renovam-se as promessas de melhorias (transporte integrado, ciclovias de 1º mundo, linhas de VLT e expansão do metrô), mas na prática continua o rodoviarismo a todo vapor: mais pistas, túneis e viadutos.
No governo Rollemberg (2015-2018) foi lançado o Circula Brasília: as promessas de priorizar o transporte coletivo, investir na mobilidade ativa e construir linhas de VLT foram reiteradas.
Programa Circula Brasília (2016): mobilidade sustentável, com linhas de VLT.
Na mobilidade por bicicleta do governo Rollemberg, o programa mudou para +Bike, com promessa de mais ciclovias. Na época do Pedala DF (governo Arruda) se disseminava a meta dos 600 km de ciclovia. No governo Rollemberg, o número saltou para 1.200 km.
Meta de ciclovias chega a 1.200 km no programa +Bike
No governo Ibaneis (2019-) foi apresentado o Plano de Mobilidade Ativa (PMA) com os seguintes objetivos:
I. Melhorar as infraestruturas de mobilidade para a população que se desloca a pé ou por bicicleta;
II. Incentivar a migração dos usuários dos modos motorizados para os modos ativos de deslocamento;
III. Melhorar e fomentar a integração entre os modos ativos e o transporte público coletivo.
O PMA possui dois cadernos e foi debatido em audiência pública virtual em 30/6/2020. A parte relativa à ciclomobilidade (caderno 2, pág. 135) propõe diversas melhorias, com a expectativa de superar 1.000 km de malha cicloviária:
Em resposta a solicitação de informações feita em 7/7/2020, sobre aspectos relativos à mobilidade ativa, a Secretaria de Mobilidade informou que “não dispõe de recursos previstos na para o ano de 2020 no que tange a serviços de manutenção de malha cicloviária”. Quanto às estações de bicicletas e patinetes compartilhados, a secretaria informou que está em fase de publicação o edital para cadastramento de empresas do Sistema de Mobilidade Ativa Compartilhada”. O conteúdo completo (pedido de informações e resposta obtida) está disponível nessa seção do blog (clique para acessar).
Ao longo dos anos realizam-se vários eventos sobre mobilidade urbana em Brasília, com a participação dos secretários de transporte, de parlamentares e de diretores dos órgãos de trânsito. Destaca-se a necessidade de investir nos modos coletivos de transporte e são debatidos os malefícios da dependência automotiva. Um dos eventos, em 2008, foi realizado quando a frota atingiu a marca de 1 milhão de veículos motorizados.
Apesar dos debates e das propostas no sentido de priorizar o transporte coletivo, nos diferentes governos se destacam obras com foco na fluidez motorizada, com vias expressas, túneis e viadutos.
Eventos frequentes debatem a mobilidade urbana.
Projetos do GDF
Os projetos na área de mobilidade urbana no DF historicamente privilegiam o automóvel. A EPTG, curiosamente chamada de Linha Verde, é clara expressão da priorização do transporte individual motorizado.
A mega-ampliação viária da EPTG criou ainda mais espaço aos motorizados, sem executar a ciclovia projetada e sem construir calçadas. E, para piorar a situação, o corredor de ônibus jamais entrou em operação. Assim, os ônibus rápidos e integrados permanecem na promessa, e os usuários de ônibus continuam em situação lastimável, presos no congestionamento e sem conforto.
Em 2015, apesar da promessa de melhoria da mobilidade urbana, com priorização dos modos coletivos e saudáveis (“não motorizados”), o “novo” governo manteve os projetos rodoviaristas de governos passados.
As imagens dos projetos, disponibilizados pelo DER-DF, não deixam dúvidas quanto ao objetivo: ampliar o espaço aos automóveis e buscar a fluidez motorizada.
Túnel em Taguatinga
Ampliação da ponte do Bragueto
Projeto na QNL
E algumas notícias revelam a existência de outros projetos com o mesmo viés rodoviarista.
Viaduto na EPIG (Fonte: Correio Braziliense, 28/7/2015)
DF libera R$ 5,7 milhões para obras de quatro viadutos em Águas Claras










