Vários casos de atropelamentos e mortes têm ocorrido no Distrito Federal, uma selvageria que deixa centenas, milhares de mortos, feridos e mutilados a cada ano. Apenas de janeiro a outubro deste 2025 ocorreram 62 atropelamentos fatais. São 29 os idosos mortos nas ruas.
Todo dia o noticiário exibe manchetes da violência nas pistas. Entre os casos recentes, um homem atropelado e morto na via Estrutural (11 de dezembro); uma mulher de 61 anos atropelada ao atravessar na faixa no Recanto das Emas (2 de dezembro), que acabou morrendo uma semana após ficar hospitalizada; um pedestre atropelado e morto ao atravessar na faixa, no Jardim Botânico (25 de novembro).
Em reportagem exibida em 11 de dezembro no programa televisivo DF no Ar sobre os atropelamentos, a gerente de ação educativa do Detran/DF afirmou que ‘o principal responsável pela segurança do pedestre é ele mesmo’. Tal declaração equivocada reforça a narrativa que culpabiliza a vítima, ignorando completamente as evidências internacionais e nacionais sobre segurança viária.
Quem caminha pela cidade nota facilmente a hostilidade e a insegurança do ambiente urbano. O respeito à faixa de pedestres, que já foi um marco na cidade, não é mais o mesmo. Muitos locais no DF sequer têm calçadas ou locais seguros de travessia.
Mesmo próximo de um dos cartões-postais da cidade, a ponte JK, o risco é altíssimo. Diariamente as pessoas têm que se arriscar entre carros em alta velocidade e ainda pular uma mureta na tentativa de chegarem vivas ao outro lado da via. Em 12 de novembro ocorreram dois atropelamentos no local: uma das vítimas, de 83 anos, morreu na pista após ser atropelada por uma moto.
Pedestres pulam mureta na travessia próximo à ponte JK. Foto: Uirá Lourenço.
Sabe-se bem quais são as reais causas dessas mortes: excesso de velocidade, ausência de infraestrutura adequada para pedestres e locais seguros de travessia, sinalização insuficiente, fiscalização inadequada, distração e imprudência por parte dos motoristas. Não é o fato de acenar, dar ‘sinal de vida’ antes de atravessar na faixa, que vai mudar o cenário de extrema violência contra os pedestres no DF.
A responsabilidade é clara: negligência e inação do poder público em prover gestão segura para pedestres e ciclistas, o que contraria as melhores práticas internacionais, bem como a legislação vigente:
- a Lei Federal nº 12.587/2012 (Política Nacional de Mobilidade Urbana) prioriza os modos ativos e o transporte coletivo;
- a Lei Distrital nº 6.458/2019 (Política Distrital de Incentivo à Mobilidade Ativa – PIMA) tem por objetivo promover melhorias na circulação de pedestres e usuários da mobilidade ativa;
- a Lei Distrital nº 4.566/2011 (Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade do Distrito Federal – PDTU/DF) prevê a ampliação de infraestrutura para pedestres e ciclistas e a redução de fatores de risco.
Nesse contexto cruel, expressamos nosso profundo pesar e solidariedade às pessoas atingidas diretamente pelas vidas perdidas, aos feridos e às famílias devastadas. Manifestamos nosso repúdio à fala da representante do órgão de trânsito, que desconsidera a vulnerabilidade do pedestre e transfere a responsabilidade por mortes evitáveis às próprias vítimas.
A culpa não é da vítima!
Por uma Brasília humanizada e segura para todos, em especial para quem percorre a cidade a pé, muitas vezes por caminhos tortuosos.
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Assinam esta Nota:
Andar a Pé – o movimento da gente
Brasília para Pessoas
Desvelocidades
Rodas da Paz
AMO700Sul
Rede Cidadã de Taguatinga – Recita
Bike Anjo
Camelo Bike Tour
Urbanistas por Brasília
Corrida Amiga
União dos Ciclistas do Brasil – UCB
Instituto Nacional pelo Direito ao Transporte – IMDT
Mobilize Brasil
Instituto Caminhabilidade
VÍDEO
