Nesta parte do blog temos o relato de pessoas que usam a bicicleta em Brasília, por transporte ou lazer. Vidas que foram transformadas graças ao pedal. Esperamos que a galeria sirva de inspiração para que mais pessoas animem de pedalar e, assim, tenham ganhos em mobilidade e qualidade de vida.
– Alex A. Silva – piscineiro

Aprendi andar de bicicleta aos nove anos, em bike de um amiguinho. Aos 12 anos consegui comprar uma bicicleta usada com meu próprio trabalho, pois fui criado sem pai e mãe e nossa situação (eu e minha avó) era difícil. Antes dos 15 anos, comprei uma bike nova no antigo Jumbo, hoje Pão de Açúcar. Continuei a usar bicicleta pra quase todos os lados. Aos quase 20 me tornei um carrólatra, deixando assim a bike de lado. Voltei usar a bicicleta como meio de transporte novamente aos 30 anos, por necessidade, pois não tinha mais carro. Hoje, aos 42 anos, continuo sendo usuário da bicicleta na maioria dos meus percursos. Sou piscineiro e adaptei meu trabalho à bike. Levo todos equipamentos na bicicleta. Bicicleta é realmente o melhor meio de transporte do planeta!!
– Ronieli Barbosa da Silva – servidora pública

Ganhei minha primeira bicicleta aos 10 anos de idade. Era meu “brinquedo” preferido à época. Na adolescência, utilizava a bike como meio de transporte para estudar no bairro vizinho. Depois disso, voltei a pedalar somente em 2008, quando me mudei para Brasília. Hoje pedalo com muito mais frequência. O deslocamento por bicicleta é perfeito para mim, e me atende em praticamente todos os compromissos rotineiros: trabalho, igreja, lazer. Além de aproveitar o tempo para me exercitar.
– Dimas Ferreira (67 anos) – aposentado

Sofri um acidente de carro em 1980 e tive uma fratura no quadril. Passei 38 anos sem poder pedalar. Em 11 de junho fiz uma cirurgia de quadril, onde foi implantada uma prótese.
Em fevereiro de 2020 comecei a pedalar pequenas distâncias: 1, 2, 3 km. Fui aumentando gradativamente. Influenciei a minha esposa (Eliana) a pedalar comigo, inclusive fomos vacinar no parque, de bicicleta. Atualmente, pedalamos, quase diariamente, de 10 a 25 km.
Resultado: Melhorei muito a disposição, o sono, a forma física, o humor e o prazer de viver. E hoje, tudo que faço, num raio de 10 km da minha casa, vou pedalando. Recomendo a prática, altamente saudável, desde que, com os devidos cuidados, como uso do capacete, ciclovia e muita atenção.
– Rosana Baioco – servidora pública

Minha história com o ciclismo urbano começou em 2011. Para vencer menos de 4 km de casa até o Parque da Cidade, às 8h da manhã, demorava às vezes meia-hora. Ridículo, pensava, enlatada no trânsito. Então peguei aquela bicicleta que estava lá no fundo da garagem, empoeirada e desengonçada, e levei para a revisão. Comecei em pequenos trajetos perto de casa, já sentindo aquela sensação de conquistar uma liberdade diferente, vívida.
Fui me aventurando sozinha, comecei a ler e seguir blogs sobre mobilidade urbana ativa (caminhar e pedalar). Entrei para um grupo de pedal noturno, queira ir mais longe… Primeiro passeio, rodei 18 km! Ganhei coragem para começar a pensar em ir ao trabalho de bicicleta, e depois a todo lugar.
Aprendi a pedalar com a roupa do dia a dia, e incorporar a bicicleta cada vez mais à minha rotina. Descobri que a sensação de conquista e liberdade é comum a todos os seres compostos por cabeça, tronco e pedais. Admirável mundo novo.
Interessante é que, de bicicleta, estamos mais em contato com as pessoas que também pedalam e caminham, e assim humanizamos o cotidiano. E sempre encontro pessoas conhecidas, afinal, a cidade é um ovo!
Por mais complicado que tenha sido o dia, sempre vai ter a lembrança daquele momento bom de meditação sobre duas rodas.
– João Paulo de Andrade Junior – servidor público

Moro em Brasília há doze anos. Meu corpo sempre foi dividido em cabeça, tronco e… carro. Em maio de 2020, minha esposa (Nensinha) e eu assistimos ao documentário “El limite infinito”, que fala da transformação que a bicicleta trouxe para a vida de um homem com dificuldade de locomoção. Juntos há vinte anos, quando o assunto era bicicleta, o que sempre ouvi de Nensinha foi: “Bike não!”. Foi o que ficou de dois acidentes: um na infância e outro na adolescência. Mas o documentário foi tão tocante que resolvi arriscar: “E se eu alugar uma bicicleta de dois lugares, você anda comigo?” Pra minha surpresa, ela topou.
Encontrei um vídeo de um bike anjo andando numa destas bikes, que depois descobri chamarem-se “tandem”. Um pouco mais de pesquisa e cheguei ao seu telefone. Em plena pandemia, expliquei-lhe toda a história e o plano de tentar ajudá-la a superar o trauma andando numa tandem. Marcado o encontro, eis que o vejo descer com aquela bike enorme pelas escadas de seu prédio! Tudo para ajudar um casal desconhecido… Pensei comigo: “Esse cara é gente boa.” Resultado: ela gostou do pequeno passeio naquele dia e acabamos alugando a tandem por um mês, enquanto chegavam nossas novas bikes. Somos extremamente gratos a esse bike anjo, que hoje consideramos um amigo, por toda ajuda que nos deu. Passei pela experiência de ensinar minha esposa, que com 50 anos começou a andar de bike, e o que posso dizer é que foi muito gratificante.
Hoje, passado um ano desde as suas primeiras pedaladas, ela anda, em média, quatro vezes por semana, ora comigo, ora com amigas, e pedala 30 km com facilidade em ritmo moderado. A bike nos trouxe outro olhar para a cidade: com o carro nós devoramos o trajeto, com a bike, desfrutamos o passeio. Descobrimos outra Brasília, com seus parques, ciclovias, e ângulos que nunca imaginamos existir. Isso tudo com perda de peso, ganho de capacidade aeróbica e aumento do bom-humor. Viva a bike!
– Uirá Lourenço, servidor público e blogueiro

Comecei a pedalar em 2000 após vender o carro e descobrir o prazer de se deslocar de forma ágil e agradável, sem estresse. Morava na caótica São Paulo e fazia praticamente todos os percursos de carro, até para distâncias curtas. Ao perceber quão bom e rápido era pedalar até a universidade, a bicicleta tornou-se companheira fiel.
Minha habilitação venceu há muitos anos. Em casa, a esposa e os dois moleques pedalam. Aliás, desde que estavam na barriga, já iam na garupa da bike e depois nas cadeirinhas. Bicicleta é sinônimo de liberdade e pedalar ajuda a manter a saúde física e mental. Adoro pedalar, apreciar a paisagem e fotografar as belas aves e árvores no caminho, incluindo curicacas, corujas e tucanos.
– Afonso Ventania – bikerrepórter

“Não esqueça a minha Caloi”. Perdi as contas de quantos bilhetes desse escrevi para os meus pais na ânsia de ganhar a minha primeira bicicleta nos anos 80. Deixava-os nos lugares mais inusitados: no painel do carro, na bolsa da minha mãe, na carteira do meu pai, nas gavetas de roupa, enfim, onde mais eu imaginasse que eles encontrariam com aquele desejo infantil quase incontrolável.
Demorou um pouco, devido à crítica situação econômica em que o país estava mergulhado na década de 80, época em que saíamos de uma violenta ditadura para entrar no desastrado “des”governo Sarney e seus planos econômicos fracassados.
E ela, a Jurema, chegou quando eu tinha 13 anos. Foi tarde, mas antes do que nunca. Jamais esquecerei o dia em que ela chegou embalada naquela enorme caixa de papelão e os meus pais me chamaram na sala do apartamento para entregar o presente tão aguardado. Eu não sei quem mais chorou naquele dia. Se eu ou o meu pai, que se remoía pela incapacidade financeira até então de realizar o meu sonho. Era uma Caloi Cross Extra Color Nylon azul-marinho!!! Linda de viver!
O fato de eu não ter bicicleta, no entanto, não quer dizer que eu não pedalava. Antes de firmar parceria com a Jurema, eu pedia emprestada a bicicleta de cada amigo da minha quadra que teve o privilégio de ganhar uma bike antes de mim. Para a minha sorte, porém, eles gostavam mais da bola do que de pedalar. E eu aproveitava cada segundo com aqueles “camelos”, como chamamos a bicicleta aqui na capital federal. Mas foi só quando ganhei a Jurema que percebi que a bicicleta seria minha eterna companheira. Foi com ela que fiz a minha primeira cicloviagem, aos 13 anos. Foi curta, mas para uma criança tão nova sair do início da Asa Norte e ir até o Colégio Marista, na metade da Asa Sul, foi uma aventura e tanto. E ainda fui escondido dos meus pais que, claro, nunca permitiram que eu cumprisse a empreitada.
Segui pedalando pela cidade nos anos subsequentes e usava a bike como meio de transporte e para iniciar no esporte, naquela época, o bicicross, hoje BMX. Aos 18 anos fui estudar nos EUA e uma das minhas primeiras aquisições foi uma bicicleta para ir ao colégio e ao trabalho. Foi lá que conheci o ciclismo de estrada e me apaixonei. Comecei a competir e quando voltei ao Brasil, três anos mais tarde, dei sequência e me tornei ciclista de alto rendimento. Foram anos representando Brasília e até o país, no Tour de Telemark, em 1996, na Noruega.
Também cicloviajei por todo o Brasil no projeto Pedalando contra as Drogas, concebido por mim e pelo meu irmão de estrada Marcos Barbosa. Foram 20 mil km percorridos em 10 meses por todo o território nacional ministrando palestras sobre qualidade de vida e a importância do esporte para jovens em escolas e universidades. Além disso, conheci não apenas o Brasil profundo de perto que muitos só assistem no Jornal Nacional, mas também visitei lugares inesquecíveis e interagi com pessoas maravilhosas e muito especiais. O projeto foi incluído numa campanha da ONU e patrocinado pela Petrobras.
Depois me tornei jornalista e cobri os Jogos Olímpicos da Grécia, em 2004, pedalando pelas ruas e avenidas de Atenas com uma bike dobrável que eu mesmo projetei com um amigo e que chamei de PRESS BIKE (bike da imprensa).
Anos mais tarde, abandonei o jornalismo convencional e lancei o projeto bikerrepórter no qual cubro o trânsito e a mobilidade urbana de Brasília de bicicleta para a rádio Metrópoles atualmente. Ou seja, em todas as fases da minha vida pessoal ou profissional, a bicicleta teve e tem um papel fundamental e de protagonismo. Minha bicicleta atual se chama Candanga, mas ela cumpre a mesmíssima missão da Jurema: me transportar de maneira lúdica e sustentável do ponto A até o ponto Z. Sim, pedalo por todo o alfabeto mesmo.
Não tenho mais carro há 7 anos e falta dinheiro para comprar a minha sexta bicicleta que considero como a maior ferramenta social que o ser humano já criou. RECOMENDO o uso excessivo!
– Anderson Silva Fernandes – enfermeiro

Aprendi a andar de bicicleta aos 7 anos, em 1997, quando ganhei minha primeira bike aro 20. Chegava de tarde da escola, a primeira coisa que fazia era trocar de roupa e ir brincar de bicicleta na rua com meu irmão até o pôr do sol. No meu aniversário de 10 anos pedi de presente para o meu pai uma bicicleta aro 26 e ganhei devido ter boas notas na escola. Um mês após ter ganhado a bicicleta, minha mãe me pediu para ir à padaria na esquina comprar pão, mas eu sempre ia caminhando. Nesse dia fui de bicicleta e esqueci a bicicleta novinha na porta da padaria e vim para casa. No outro dia de manhã minha mãe me perguntou onde estava minha bicicleta que não estava guardada no lugar. Aí fui lembrar que tinha ido comprar o pão de bicicleta no dia anterior, fui chorando até a padaria com minha mãe pensando que a bicicleta tinha sido roubada. Perguntei para atendente do caixa se tinha visto e ela informou que a bicicleta tinha ficado na porta das 16h até as 22 h, horário que eles fechavam e eles guardaram. Pensa em uma felicidade quando vi minha bicicleta de novo, Deus deu livramento de roubo.
Aos 16 anos, meu primeiro emprego de carteira assinada, meu primeiro salário. Advinha o que comprei: uma bicicleta nova, pois a outra estava bem antiga. Usei essa bicicleta para ir à escola todas as noites, pois a escola próxima a minha casa não tinha uma boa gestão na época e eu estudava em uma escola mais distante com ensino melhor. Em 2008 terminei o ensino médio, passei no Enem, passei no ProUni com bolsa de 100%. Comecei ir para a universidade de bicicleta. Pouco tempo depois tirei habilitação e comprei uma moto para ir trabalhar e estudar, acabei vendendo a bicicleta por falta de uso. Em 2021, com a pandemia e o alto custo dos combustíveis, comprei uma bike novamente para me deslocar ao trabalho, dia sim dia não. Faço o trecho interestadual entre o Jardim Ingá / Luziânia, onde moro, e o Gama (DF) onde trabalho. São 50 km de pedal, ida e volta. Sensação maravilhosa de liberdade e superação de limites. No momento estou com 2 bikes, uma speed para trabalhar e pedalar com os grupos de pedais nos dias de folga e uma urbana para passear com a família, mas pretendo em breve comprar também uma MTB para fazer trilhas. Portanto, ganhei saúde física e mental, melhor disposição, sono melhor, condicionamento melhor, novas amizades, conheci novos lugares. Recomendo para todos, com certeza será a melhor escolha da sua vida.