Sugestões ao Plano de Mobilidade do DF
Como forma de contribuir com a elaboração do Plano de Mobilidade (PMUS) e a revisão do Plano de Transporte (PDTU) do Distrito Federal, foram enviadas propostas por e-mail (consultapdtu@semob.df.gov.br) à Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob). A Semob, em parceria com equipe do Labtrans (SC), vem fazendo trabalho em relação aos planos de transporte e mobilidade desde 2024, com elaboração de produtos, realização de audiências públicas e reuniões temáticas virtuais.
As informações sobre o processo de elaboração e revisão dos Planos estão no portal: https://sistemas.df.gov.br/PDTU/PaginaInicial
Abaixo, todas as contribuições enviadas pelo Brasília para Pessoas, com vistas a uma cidade moderna, humanizada e sustentável. Ou seja, com foco nas pessoas e incentivos para que mais pessoas usem o transporte coletivo, caminhem e pedalem.
– e-mail 1: Arborização / Conforto Térmico
– e-mail 2: Fiscalização de Trânsito contra Estacionamento Irregular
– e-mail 3: Diretriz do Plano de Mobilidade: Mudança no Modelo de Transporte
– e-mail 4: Segurança nas Travessias: Mapeamento e Plano de Ação
– e-mail 5: Sensibilização de Gestores Públicos
– e-mail 6: Projetos de VLT: canteiros e arborização
– e-mail 7: Medidas de Desestímulo ao Automóvel
– e-mail 8: Incentivo ao uso de Bicicleta no Serviço Público
– e-mail 9: Redistribuição do Espaço / Redesenho de Vias
– e-mail 10: Produção de material (fotos e vídeos) para sensibilização sobre Mobilidade
– e-mail 11: Ouvidoria do GDF: melhorias
– e-mail 1: Arborização / Conforto Térmico
Sugiro que todo projeto viário dê especial atenção à arborização, com vistas não apenas ao paisagismo, mas também ao conforto térmico. Que os projetos mantenham ou aumentem as áreas verdes e arborizadas.
Infelizmente temos visto no Distrito Federal projetos que devastam grandes áreas. Tanto ampliações viárias, quanto projetos de BRT, promovem grande retirada da vegetação, a exemplo da Estrada Parque Aeroporto (EPAR), Estrada Parque Taguatinga (EPTG), Estada Setor Policial Militar (ESPM), Estrada Parque Indústrias Gráficas (EPIG) e Saída Norte (incluindo o Trevo de Triagem Norte – TTN).
No blog Brasília para Pessoas publiquei série de textos com imagens (fotos e street view) que mostram o antes e o depois.* É bem nítida e lamentável a perda de cobertura arbórea. As vias, incluindo as Estradas Parque, vão se tornando espaços áridos, especialmente hostis a quem se desloca sem carro.
Em tempos de mudanças climáticas, com extremos de calor, a arborização é uma forte aliada no conforto térmico. Assim, os projetos governamentais devem incentivar e priorizar os modos ativos e coletivos de transporte, desestimular o automóvel (reduzir pistas e estacionamentos) e garantir boa arborização ao longo das vias.
* links dos textos com análise das vias que passaram por obra:
https://brasiliaparapessoas.org/2025/02/25/como-transformar-destruir-uma-cidade-eixao-norte-ttn/
Como transformar (destruir) uma cidade – Eixão Norte/TTN
https://brasiliaparapessoas.org/2024/12/18/como-transformar-destruir-uma-cidade-setor-policial/
Como transformar (destruir) uma cidade – Setor Policial
https://brasiliaparapessoas.org/2024/11/20/como-transformar-destruir-uma-cidade-epar/
Como transformar (destruir) uma cidade – EPAR
https://brasiliaparapessoas.org/2024/11/12/como-transformar-destruir-uma-cidade-viaduto-do-sudoeste/
Como transformar (destruir) uma cidade – Viaduto do Sudoeste
– e-mail 2: Fiscalização de Trânsito contra Estacionamento Irregular
É imprescindível o fortalecimento da fiscalização de trânsito para coibir as infrações motorizadas. Em todo o Distrito Federal, em particular no Plano Piloto, é comum ver canteiros invadidos, transformados irregularmente em estacionamento. Até mesmo pilotis em prédios de quadras residenciais da Asa Sul foram tomados pelos carros. Calçadas, ciclovias e ciclofaixas também são comumente invadidas por motoristas infratores.
Essa prática de invasão dos espaços pelos motoristas agride o tombamento da cidade e dificulta/impede a circulação de pedestres e ciclistas.
Os maus exemplos se proliferam, os espaços públicos são engolidos. Na Esplanada dos Ministérios, no Eixo Monumental, no Setor Médico e Setor Hospitalar (Asa Norte), em diversas quadras residenciais e comerciais das Asas Sul e Norte.
O Poder Público precisa agir. Os infratores precisam ser autuados. Balizadores devem ser instalados para coibir as infrações. E a fiscalização deve ser reforçada, inclusive por meio de videomonitoramento.
Por fim, deixo a sugestão que a fiscalização de trânsito seja feita com uso de bicicleta. Agentes do Detran e do DER, além dos policiais, poderiam usar bicicleta na atividade de fiscalização diária. Assim, poderiam autuar de forma mais ágil os motoristas que estacionam irregularmente sobre calçadas, canteiros e ciclovias.
– e-mail 3: Diretriz do Plano de Mobilidade: Mudança no Modelo de Transporte
Além das 10 diretrizes propostas pela equipe técnica responsável pela elaboração do PMUS, sugiro uma que se refira à necessária mudança de modelo de transporte.
Algo como ‘Mudança no modelo de transporte: do rodoviarismo (voltado ao automóvel) para o modelo humanizado (voltado às pessoas), com adoção de conceitos como Visão Zero e Sistemas Seguros’.
É de suma importância destacar a mudança de modelo. Os seguidos governos no DF têm insistido no modelo rodoviarista, com ampliações viárias e construção de túneis e viadutos, que não resolvem os problemas de mobilidade. A política rodoviarista incentiva que mais pessoas usem o automóvel e cria um círculo vicioso de aumento da dependência do carro e de necessidade por mais espaços para acomodar a frota motorizada crescente (pistas e estacionamentos).
– e-mail 4: Segurança nas Travessias: Mapeamento e Plano de Ação
Sugiro a inclusão no Plano de Mobilidade de item relativo a Travessias Seguras. Quem percorre a cidade sem carro enfrenta riscos em razão da falta de locais seguros de travessia, da alta velocidade e do fluxo motorizado intenso. Há muitos exemplos no Plano Piloto e nas demais Regiões Administrativas.
Para mencionar alguns, a via de acesso à ponte JK (com pelo menos dois pontos de alto risco), o final do Eixão Norte (próximo do Setor Hospitalar), o final da W3 Norte (entre o Boulevard Shopping e o Setor Hospitalar) e as imediações da Rodoviária do Plano Piloto (Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios).*
Assim, sugiro que o Plano de Mobilidade contemple medidas voltadas a sanar esse grave problema, tais como:
a) Mapeamento de locais de alto risco (georreferenciado e acessível virtualmente) – a ser feito de forma colaborativa com a sociedade
b) Monitoramento pelos órgãos de trânsito responsáveis – acompanhamento da situação por meio de agentes e de videomonitoramento
c) Plano de Ação para implantação de Travessia Segura – elaboração de propostas para adequação dos locais de forma a garantir segurança e comodidade aos pedestres
* links de vídeos que mostram travessia arriscada:
Pedestres Atletas: Pulo de Mureta na via da Ponte JK
Pedestres em alto risco: Setor Hospitalar / Terrível Trevo Norte (TTN)
Travessia de Alto Risco: Eixo Monumental – Rodoviária
Travessia de Alto Risco: Esplanada – Rodoviária
Travessia de Alto Risco: W3 Norte – Setor Hospitalar
– e-mail 5: Sensibilização de Gestores Públicos
A sensibilização quanto à necessidade de mudar o modelo de cidade, de mobilidade, é de extrema importância. O rodoviarismo está arraigado e resulta em projetos e ações com foco na fluidez motorizada.
É perceptível que há resistência nos órgãos do GDF quanto a medidas no sentido de humanizar a cidade e torná-la mais segura para todos (incluindo os mais vulneráveis, pedestres e ciclistas).
Como exemplo, faixas elevadas de travessia, redução/readequação do limite de velocidade e conversão de espaço na via em ciclofaixa não são implementadas com frequência no DF. A fiscalização fraca e a falta de ações para coibir o estacionamento irregular sobre canteiros e calçadas também revelam o viés rodoviarista.
É preciso ter um trabalho contínuo, de longo prazo, para sensibilizar servidores e diretores dos diferentes órgãos do GDF (por exemplo, Detran, DER, Seduh, Semob, Secretaria de Obras, Novacap e Administrações Regionais) para a necessidade de rever o modelo de transporte rodoviarista, repensar a cidade e projetar com foco nas pessoas. Mudar a chave: em vez de priorizar a fluidez motorizada, focar em humanização e segurança no trânsito.
Temos exemplos de cidades pelo mundo para inspirar, como Amsterdã e Paris, para mostrar que mobilidade moderna se traduz em desestimular o uso do carro e incentivar o uso dos modos ativos e coletivos de transporte.
Assim, sugiro um plano de capacitação e de disseminação de conceitos e ações humanizadoras junto aos órgãos do GDF. Se não houver trabalho de sensibilização interna (dentro do próprio governo), há grande risco de o PMUS e o PDTU serem apenas mais um plano bem-intencionado, bonito no papel, mas sem implementação efetiva.
– e-mail 6: Projetos de VLT: canteiros e arborização
Considero bem relevante a proposta de linhas de Veículo leve sobre Trilhos (VLT), no Plano Piloto (W3 e Eixo Monumental) e em áreas adensadas fora do Plano, como Taguatinga e Ceilândia. Afinal, trata-se de um meio de transporte moderno, que se integra bem à cidade.
No entanto, preocupa-me a proposta de alocação do sistema no canteiro central, conforme mostrado na figura 20 (pág. 51) do Relatório do PDTU (produto 5.2) e exposto na audiência pública realizada no dia 24/1/2026, no auditório da CLDF.
A colocação do VLT no canteiro central resultará na supressão de árvores e no aumento da área impermeabilizada, além de manter o espaço para o fluxo motorizado. Sugiro que os projetos de VLT utilizem o espaço de uma das faixas de circulação. Dessa forma se preserva o canteiro arborizado (que teria intervenção apenas por conta de pontos de embarque e desembarque) e se utiliza faixa de circulação já existente, pavimentada. Promove-se assim uma redistribuição viária justa.
Para exemplificar, em avenidas com três faixas de circulação, uma ficaria exclusiva para o VLT e as outras duas para os modos motorizados. E o canteiro pode ser usado como calçadão compartilhado entre pedestres e ciclistas, preservando-se as árvores.
Vale lembrar que a proposta de VLT na W3 originalmente previa a circulação pelo canteiro central, que depois foi, felizmente, alterada para uma das faixas da avenida. Na versão atual do projeto pode-se ver a circulação na faixa da W3 mais próxima do canteiro central. Incluí em anexo duas imagens da apresentação do projeto que ilustram a circulação do VLT na W3.*
* Fonte: Apresentação do GDF, Audiência Pública (abril/2020). Disponível no link: https://semob.df.gov.br/edital-de-chamamento-de-manifestacao-de-interesse
ANEXO:
– e-mail 7: Medidas de Desestímulo ao Automóvel
Gostaria de sugerir a inclusão de ação no eixo 6 (Gestão da Mobilidade) no intuito de trazer medidas de desestímulo ao automóvel. Pela experiência das cidades modernas que vêm melhorando a mobilidade, sabe-se que são importantes os investimentos em transporte coletivo aliados a medidas para restringir e reduzir a circulação de carros.
O Distrito Federal precisa pensar seriamente em medidas como proibição/restrição de circulação em determinadas áreas, cobrança de estacionamento público e pedágio urbano, entre outras. É necessário pôr o tema em pauta, ter estudos e projetos nesse sentido.
Existem áreas bem servidas de ônibus e metrô que poderiam ter implantação gradativa de medidas de desestímulo ao automóvel, como Setor Comercial Sul e Plataforma Superior da Rodoviária do Plano Piloto.
Assim, sugiro o acréscimo da seguinte ação:
6.1.5 Acompanhar e implantar medidas voltadas a desestimular o uso do automóvel (ex.: áreas com proibição ou restrição de circulação)
– e-mail 8: Incentivo ao uso de Bicicleta no Serviço Público
Considerando a forte presença do Poder Público em Brasília, com grande número de órgãos das esferas federal e distrital e consequentemente grande número de servidores públicos, gostaria de sugerir ações de incentivo voltadas especificamente aos que trabalham nos órgãos públicos.
Diariamente se vê grande fluxo de carros nas vias de Brasília, como Eixão, Eixo Monumental, W3 e L2. Muitas pessoas se deslocam de carro, moram perto do local de trabalho (distância inferior a 10 km) e poderiam usar a bicicleta (convencional ou elétrica) no dia a dia. Boa parte das vias de Brasília tem ciclovias, que ainda têm fluxo reduzido de ciclistas. Nos horários de pico, o contraste é claro entre pistas entupidas de carros e ciclovias pouco utilizadas.
É preciso, portanto, campanha de incentivo ao uso, incluindo ações direcionadas aos servidores públicos que fazem trajeto curto e vão diariamente aos órgãos públicos localizados na área central de Brasília.
Além do uso cotidiano como meio de transporte por autoridades e servidores públicos, é importante acrescentar e ampliar o uso de bicicleta nas atividades de policiamento, fiscalização e educação no trânsito. Já se vê em Brasília policiamento feito com bicicleta, mas ainda de forma limitada, por poucos policiais. O policiamento comunitário com bicicleta pode ser ampliado e a bicicleta poderia ser utilizada por agentes de trânsito do DER e do Detran em atividades educativas e de fiscalização.
Sugiro, assim, o acréscimo de ação no objetivo ‘1.3 Promover a mobilidade ativa por meio de ações educativas e intervenções urbanas’, do Plano de Mobilidade (PMUS). Seria a seguinte ação:
– e-mail 9: Redistribuição do Espaço / Redesenho de Vias
É necessário destacar a redistribuição do espaço viário, o necessário redesenho de vias. No Distrito Federal há muitas vias largas com três ou mais faixas para circulação do transporte motorizado. É comum a presença de canteiros no centro e nas laterais das vias.
Numa lógica de transporte moderno e sustentável, com foco no transporte coletivo e com vistas a impulsionar a migração do transporte individual motorizado para os modos ativos e coletivos de transporte, é fundamental redesenhar a via e redistribuir o espaço.
Numa via com três faixas de circulação, pelo menos uma deveria ser de uso exclusivo dos ônibus. Na lateral da via, calçada/ciclovia que aproveite a arborização existente. Sugiro que se elabore um padrão, um guia que ilustre as possibilidades, com critérios bem estabelecidos e que observem obrigatoriamente:
a) priorização do transporte coletivo, com faixa ou corredor exclusivo e melhorias nos pontos de embarque e desembarque;
b) conservação ou aumento da área arborizada;
c) redução do espaço de circulação para o transporte individual motorizado;
d) revisão e redução do espaço de estacionamento ao longo de ruas e avenidas;
e) requalificação e ampliação do espaço para pedestres e ciclistas;
f) locais de travessia seguros e confortáveis, bem distribuídos ao longo da via, preferencialmente em nível.
Ainda se tem grande número de vias sem qualquer prioridade para o transporte coletivo, a exemplo da via Estrutural, da EPIA, da via de acesso à ponte JK. Mesmo o Eixão, com três faixas em cada sentido, poderia ter espaço exclusivo para linhas expressas de ônibus. Seria simples e barato delimitar faixas exclusivas e dar mais agilidade e conforto aos usuários de transporte coletivo.
O incentivo ao transporte coletivo não deveria depender só de grandes projetos de BRT e VLT. Até porque são projetos demorados e, no caso do VLT, até hoje não saiu do papel.
São muitas as possibilidades de redesenho de via no DF, seja para incentivar o transporte coletivo, seja para desestimular o uso do automóvel e criar espaços para a mobilidade ativa. Muitas ruas e avenidas no DF têm carros estacionados nos dois lados. Pode-se perfeitamente realocar/reduzir o número de vagas de estacionamento e criar ciclofaixa para dar maior segurança aos ciclistas.
Como exemplo, a W2 Norte (paralela à W3), larga e com fluxo reduzido de carros, propícia para se suprimir vagas e criar ciclofaixa. Fiz simulação – com ajuda de inteligência artificial – de como ficaria após o redesenho, a redistribuição justa do espaço na rua, na altura da 508 Norte (imagens em anexo da situação real e da simulada). Na proposta, além do espaço seguro para a mobilidade ativa, a rua ganha corredor de árvores na lateral.
Infelizmente o que se vê nos projetos de mobilidade do DF – elaborados e com obras concluídas ou em andamento – vai na contramão do que se preconiza nas cidades modernas, sustentáveis e que valorizam as pessoas e desestimulam o uso do carro.
Para exemplificar, a Estrada Parque Aeroporto (EPAR) virou apenas EAR (Estrada Aeroporto), perdeu o belo canteiro central com árvores e áreas verdes laterais. Ampliou-se bastante o espaço para os motoristas.1
No Setor Policial também houve grande perda de área verde no projeto de BRT. A via era das poucas que contava com faixa exclusiva de ônibus. E o projeto, que deveria ser de incentivo ao transporte coletivo, acabou ampliando o espaço do automóvel. Apesar da nova calçada e ciclovia, a aridez por conta da retirada de centenas de árvores (inclusive belas paineiras) não é nada convidativa para pedestres e ciclistas.2
A EPIG (Estrada Parque Indústrias Gráficas) passa por obras e está virando EIG (Estrada Indústrias Gráficas). Já perdeu boa parte da cobertura verde, das árvores frondosas que ficavam ao longo da via. Supostamente para criar sistema de ônibus rápido (BRT), mas na realidade se amplia o espaço para os carros, incluindo novas vagas de estacionamento (atrás do Ministério Público), novas faixas de circulação e novo acesso para os motoristas ao Parque da Cidade.
Faço, portanto, apelo para que sejam definidos critérios rígidos para projetos viários, de mobilidade. Que sejam bem estabelecidos e exemplificados em guias e manuais.
Chega de projetos rodoviaristas, de projetos de ‘mobilidade’ que devastam e mantêm os incentivos ao transporte individual motorizado. Chega de projetos de alargamento de vias travestidos de BRT, que criam espaços áridos e não promovem a necessária migração do transporte individual motorizado para o transporte coletivo.
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1 Texto com imagens sobre a EPAR:
https://brasiliaparapessoas.org/2024/11/20/como-transformar-destruir-uma-cidade-epar/
Como transformar (destruir) uma cidade – EPAR
2 Texto com imagens sobre a via do Setor Policial:
https://brasiliaparapessoas.org/2024/12/18/como-transformar-destruir-uma-cidade-setor-policial/
Como transformar (destruir) uma cidade – Setor Policial
– e-mail 10: Produção de material (fotos e vídeos) para sensibilização sobre Mobilidade
Gostaria de sugerir a produção de material com fotos e vídeos para sensibilizar gestores públicos e a sociedade em geral sobre os problemas da carrodependência e as soluções efetivas para contornar os problemas decorrentes da carrodependência excessiva no DF (congestionamentos, poluição, ruído, estresse, sinistros de trânsito e mau uso do espaço urbano, entre outros).
Há muitas informações que podem ser utilizadas na produção de material que pode ser publicado nas páginas oficiais e nas redes sociais do Governo do Distrito Federal, bem como em espaço publicitário de jornais, emissoras de TV e rádio. Dados sobre a frota motorizada crescente (Detran-DF), dados sobre os deslocamentos casa-trabalho (PDAD, IPE-DF) e sobre média de ocupação do veículo podem ser usados no material.
Imagens (fotos e vídeos) das principais vias de acesso em horários de pico – como Eixo Monumental, Eixão, EPTG, Estrutural e EPIA – e sobre estacionamentos abarrotados podem ajudar na reflexão sobre os males da mega frota de carros.
Além de apontar os problemas, importante mostrar alternativas, as possíveis saídas para reverter o quadro de imobilidade e caos: ampliação das faixas exclusivas e corredores de ônibus, ampliação e melhorias na operação do metrô, desestímulos ao uso do carro, estacionamento rotativo pago, pedágio urbano, redesenho de ruas, redistribuição do espaço viário, redução de vias e estacionamentos, restrição à circulação de carros em determinadas áreas. Para esta parte do vídeo, há dados e imagens de bons exemplos em outras cidades, especialmente de capitais europeias.
Vídeos de curta duração (de 30s a 1 min.) e com imagens fortes ajudarão a despertar a sociedade para a necessidade de mudança do modelo rodoviarista (baseado no automóvel, na fluidez motorizada) para um modelo humanizado (com foco na pessoa, nos modos ativos e coletivos).
É fundamental esse tipo de reflexão, o despertar para o modelo de transporte que se propõe com o Plano de Mobilidade (PMUS).
A aceitação de projetos viários voltados à fluidez (túneis e viadutos) e a contrariedade a projetos que reforçam a segurança no trânsito e regulam/restringem o uso abusivo do espaço urbano, como a redução da velocidade no Eixão para 60 km/h e o estacionamento rotativo pago (zona verde), mostram que, de forma geral, a população no DF ainda não está convencida da necessidade de um novo sistema de transporte.
– e-mail 11: Ouvidoria do GDF: melhorias
Uso com frequência a Ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF) para enviar sugestões sobre acessibilidade e mobilidade urbana. Considero o serviço bem aquém do desejável. É comum não ter providências por parte dos órgãos responsáveis, especialmente quando se refere à manutenção de calçadas e a melhorias nas ciclovias. Percebo que, algumas vezes, são enviadas respostas genéricas com informações sobre projetos e planos do governo sem fazer referência à sugestão apresentada, se é viável e pode ser acolhida pelo governo.
Percebo que houve piora na prestação do serviço com a criação de outra plataforma (Administração Regional Digital 24 Horas) para problemas como manutenção de calçadas e ciclovias. O formulário é limitado (pouco texto) e não permite anexar mais de uma imagem, além de não dar retorno detalhado sobre as demandas.
A sugestão é que as demandas sejam centralizadas em plataforma única da Ouvidoria para facilitar o acesso e possibilitar envio de texto e imagens. E que seja possível visualizar as demandas dos usuários, por tipo (ex.: reforma de calçada, iluminação, queixa sobre horário de ônibus), de forma georreferenciada. Haverá grande ganho em transparência e acompanhamento. É interessante que o cidadão possa acompanhar as demandas de outras pessoas e saiba, por exemplo, se a queixa é recorrente e afeta outras pessoas.
Bom exemplo a seguir é o da Prefeitura de Santos, que possui o Mapa da Ouvidoria (https://egov.santos.sp.gov.br/santosmapeada/Ouvidoria/MapaOuvidoria/), com registros indicados no mapa, que podem ser consultados.
Ressalto também a importância de a Ouvidoria acompanhar as demandas, de forma a averiguar se houve resposta satisfatória por parte dos órgãos envolvidos na demanda. Importante que a Ouvidoria, além de receber e encaminhar a demanda, acompanhe e cobre de cada secretaria ou departamento.
Para exemplificar, uma demanda pode envolver resposta da Seduh, do Detran e da Secretaria de Obras. E a Ouvidoria deveria exercer esse controle e acompanhamento para evitar idas e vindas pelo sistema. Já ocorreu mais de uma vez de eu receber resposta incompleta ou resposta de um órgão informando que a responsabilidade é de outro órgão, o que obriga a registrar novamente e esperar mais tempo pela resposta. A própria Ouvidoria deveria encaminhar para mais de um órgão, se for o caso, e verificar se houve resposta completa à demanda.
Quanto aos indicadores propostos no Plano para avaliar as demandas sobre mobilidade, sugiro que sejam incluídos indicadores qualitativos. Os indicadores propostos são apenas quantitativos (número de reclamações registradas e média de dias decorridos). É preciso um indicador que revele se houve resposta satisfatória e completa à demanda, e se houve providência concreta em relação à demanda.

