Texto e fotos: Uirá Lourenço
A seguir comento alguns pontos relevantes especialmente sobre a acessibilidade e as condições para a mobilidade ativa na rodoviária do Plano Piloto e nas proximidades, que precisam ser verificados e acompanhados após a concessão feita pelo Governo do Distrito Federal.
– Acessibilidade no entorno da Rodoviária, especialmente na parte norte (N1)
A parte norte da rodoviária apresenta condições bem hostis aos que caminham. Na parte sul, com a inauguração do Sesi Lab, foram observadas melhorias (reforma de calçadas e instalação de rampas).
A parte voltada para o Eixão Norte, que inclui o acesso ao Eixo Monumental, continua bem ruim e inacessível. Faltam rampas e o acesso ao terminal fica bloqueado por ônibus estacionados sobre a faixa de travessia. As fotos revelam os problemas.
a) Faixa de travessia apagada e bloqueada por ônibus.
O caminho chega a ficar totalmente bloqueado pelos ônibus, como mostram as imagens. Para agravar a situação, a faixa de travessia tem pintura desgastada (vídeo recente gravado no local)[1].
b) Calçadas com grande desnível e sem rampas.
Na travessia que leva ao terminal as condições para caminhar são bem ruins. Muitos desníveis e sem rampas.
c) Calçada estreita e inacessível – ligação com o Eixo Monumental
O caminho pela calçada do Eixo Monumental, próximo ao Conjunto Nacional, é altamente inacessível, com calçada estreita e em más condições.
– Bicicletário na Rodoviária
Até hoje não se tomou providência a respeito. Um descaso e tanto no principal terminal de transporte da capital federal, que inviabiliza a plena integração intermodal (bicicleta e transporte coletivo).
Vale lembrar que há duas leis específicas que obrigam a instalação de vagas para bicicletas (leis distritais 4.423/2009 e 4.800/2012), sem contar outras leis distritais de incentivo à mobilidade ativa. E o assunto está judicializado (Ação Civil Pública ajuizada pelo promotor de justiça Dênio Augusto de Oliveira Moura).
Em parceria com a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), conseguimos viabilizar um projeto de bicicletário. Arquiteto da Secretaria, com apoio de integrantes da Rede Urbanidade usuários de bicicleta, elaborou a proposta que ainda não foi executada.
Abaixo, uma das imagens do projeto de bicicletário, que seria instalado na parte externa, ao lado do acesso ao metrô, na rodoviária do Plano Piloto.[2]
– Falta de Conexão das Ciclovias
Outro problema para o qual não houve providência. São necessárias melhorias que garantam caminho seguro aos ciclistas nas partes norte e sul da rodoviária. Vale lembrar que existiam ciclofaixas por dentro do terminal, que com o tempo se deterioraram e não tiveram manutenção por parte do Governo do Distrito Federal.
Os ciclistas são obrigados a dividir espaço com ônibus e outros veículos que circulam e estacionam no espaço que um dia foi ciclofaixa (ainda se pode ver vestígio da pintura que delimitava o espaço dos ciclistas). Texto com fotos no blog Brasília para Pessoas relata as condições aos ciclistas na rodoviária.[3] Apesar de publicado em 2018, continua atual em razão da falta de investimentos na mobilidade ativa no principal terminal de transporte de Brasília.
As imagens mostram ciclistas circulando por dentro da rodoviária, sem segurança.
– Acessos aos Motoristas / Travessia de Pedestres
Ao longo do Eixo Monumental e da Esplanada dos Ministérios, nas proximidades da rodoviária, há pontos de retorno para os motoristas em que há grande conflito com a travessia de pedestres, por conta da falta de sinalização (faixas de travessia e semáforo), do excesso de velocidade e do grande fluxo motorizado. É necessário redesenho da via e implantação de medidas de moderação de tráfego (incluindo a redução/readequação do limite de velocidade), além de sinalização específica voltada à travessia de pedestres e ciclistas.
Dois vídeos mostram os riscos de travessia nos locais.[4]
Nas imagens a seguir (google maps) estão destacados os pontos críticos (em amarelo). Na primeira imagem, mais ampla, os dois pontos na parte norte e na parte sul. Nas duas imagens abaixo, o detalhamento dos dois locais. Nota-se que há calçadas, mas falta ponto seguro de travessia.
– Plataforma Superior – acessibilidade e estacionamentos privados
Na plataforma superior foram feitas modificações após a concessão da rodoviária do Plano Piloto. Os estacionamentos passaram a ser cobrados e foram instaladas – e depois retiradas – estruturas esféricas (balizadores) sobre calçadas. As condições de acessibilidade poderiam sem melhores, especialmente na parte central ocupada por grandes áreas de estacionamento. Calçadas estreitas em alguns pontos, falta de rampas, ausência de ciclovia ou ciclofaixa e mau aproveitamento do espaço (vagas de estacionamento em excesso e ociosas) formam um cenário hostil a quem caminha e pedala na região.
É importante averiguar a destinação dos recursos arrecadados com o estacionamento, se há previsão de reverterem em prol da mobilidade urbana (por exemplo, reforma e construção de calçadas e ciclovias).
A plataforma superior tem grande potencial de se tornar uma grande praça, com espaços de lazer e diversão para a população. Há inclusive propostas nesse sentido. O texto no blog Brasília para Pessoas traz imagens e reflexões sobre a região.[5]
Abaixo, imagens do estacionamento cobrado e de calçada estreita com marcas da retirada de esferas balizadoras. Consta também imagem de proposta de praça na plataforma superior, de autoria de Gabriela Cascelli.
– Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar
A rodoviária do Plano Piloto conta com estação manual de Monitoramento da Qualidade do Ar na plataforma inferior, próximo das vagas deterioradas para bicicletas (paraciclo). Em conversa recente com servidor do Instituto Brasília Ambiental que fazia a troca de filtro no equipamento, fui informado que se tentou incluir no contrato de concessão a instalação de uma nova Estação de Monitoramento, mais moderna (automática). Seria um ganho importante em qualidade da medição do nível de poluentes na área central da cidade.
É importante averiguar se essa melhoria foi efetivamente incluída no contrato de concessão, se a concessionária irá arcar com tal investimento. Vale destacar que, em 2024, o Governo do Distrito Federal instalou estações automáticas de monitoramento da qualidade do ar na Fercal, fruto de parceria com fabricantes de cimento, como condicionantes de processo de licenciamento ambiental.[6]
Abaixo, imagem da estação de Monitoramento da Qualidade do Ar na rodoviária.
Brasília, 3 de outubro de 2025.
[1] https://youtube.com/shorts/szlVljn7wJY
Travessia de Pedestres bloqueada na Rodoviária do Plano Piloto
[2] Página da Secretaria de Transporte e Mobilidade, do Governo do Distrito Federal, com informações sobre a proposta: https://www.semob.df.gov.br/bicicletario-e-implantacao-da-conexao-cicloviaria-leste-oeste-na-rodoviaria-do-plano-piloto
[3] Link do texto:
https://brasiliaparapessoas.org/2018/04/06/de-bicicleta-na-rodoviaria-do-plano/
De bicicleta na Rodoviária do Plano
[4] https://www.youtube.com/watch?v=NNix_m-F75c
Travessia de Alto Risco: Eixo Monumental – Rodoviária
https://www.youtube.com/watch?v=Th2hIB7CItI
Travessia de Alto Risco: Esplanada – Rodoviária
[5] https://brasiliaparapessoas.org/2022/12/09/plataforma-da-rodoviaria-com-menos-carros-por-que-nao/
Plataforma da rodoviária com menos carros: por que não?
[6] Link da notícia: https://www.sema.df.gov.br/w/inauguracao-das-estacoes-automaticas-de-monitoramento-da-qualidade-do-ar-na-fercal-avanco-tecnologico-e-compromisso-ambiental-em-destaque















